As atletas “rápidas demais” para serem consideradas mulheres

Quando a atleta sul-africana Caster Semenya, então com 18 anos, venceu a prova de atletismo de 800 metros rasos com uma vantagem maior que dois segundos em 2009, teve de enfrentar uma enxurrada de críticas e desconfianças sobre seu gênero. Pierre Weiss, secretário-geral da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), disse que ela não era “100% mulher”. Uma competidora a chamou de homem. Ela foi barrada das competições, interrogada e submetida a exames de sexo. Dois anos mais tarde, a IAAF lançou uma política restringindo os níveis de testosterona permitido em mulheres para até 10 nanomolares por litro, considerado pouco para homens, mas uma condição que muitas mulheres têm, a chamada hiperandrogenismo. Caso esse limite fosse superado, as atletas teriam que passar por alguns tratamentos invasivos e potencialmente arriscados, como tomar drogas supressoras de hormônios e se submeter a cirurgia para retirar glândulas que produzem…

Sonhe grande: Uma carta aberta de Serena Williams para jovens mulheres

Em uma carta aberta publicada no Instagram, a tenista americana Serena Williams falou sobre as barreiras de gênero que as mulheres enfrentam nos esportes e, principalmente, como combatê-las. Confira na íntegra o manifesto de uma das maiores atletas do mundo: Para todas as mulheres incríveis que se esforçam em busca de excelência, Quando eu estava crescendo, eu tinha um sonho. Eu tenho certeza que você também tinha um. Meu sonho não era como o de uma criança normal, meu sonho era ser a melhor jogadora de tênis do mundo. Não a melhor jogadora de tênis “feminino” do mundo. Eu tive o privilégio de ter uma família que apoiou meu sonho e me encorajou a segui-lo. Eu aprendi a não ter medo. Eu aprendi o quão importante é lutar por seu sonho e, principalmente, sonhar grande. Minha luta começou quando eu tinha três e eu não fiz uma pausa desde então.…

12 times que arrasaram no Mannequin Challenge

Aos moldes do “Harlem Shake” (2013) e do “Desafio de Balde de Gelo“ (2014), o atual viral da internet é o “Mannequin Challenge”, ou desafio do manequim. A ideia é juntar a galera para gravar um vídeo cumprindo o desafio de permanecer congelado na mesma posição, feito um manequim, dando a ilusão de que o tempo parou. Os vídeos que rodam pela internet são ambientados em locais comuns no dia a dia, como escolas, festas, reuniões de trabalho ou, para muitas atletas, no meio do treino! Se assistir a amigos ou celebridades fazendo o desafio já é divertido, os vídeos de atletas – profissionais ou amadoras – tornam a brincadeira impressionante. Times de ginástica, futebol, basquete, natação, polo aquático e outras modalidades já se contribuíram com o desafio, colocando muitas de suas habilidades corporais para criar poses incríveis. E nós separamos os melhores resultados aqui: 1. Campeãs da isometria: um estúdio de…

O depoimento do time feminino de Harvard mudou a postura da universidade quanto a assédio

Desde 2012, o time de futebol masculino da renomada Harvard University, nos Estados Unidos, mantinha a tradição de classificar sexualmente as jogadoras da equipe feminina. De acordo com uma nota oficial divulgada no site da instituição, o grupo tinha até um documento de nove páginas com um ranking das mais sexys e até posições sexuais atribuídas a cada uma. Em nossa pesquisa, realizada no início do ano, 57% das entrevistadas afirmaram não praticar atividades físicas em locais abertos ou públicos com medo de assédio, um fato que, em função da nossa experiência com a campanha Chega de Fiu Fiu, infelizmente não nos deixa surpresas. O mesmo vale para o próprio time feminino de 2012 da Harvard, que, representado pelas jogadoras Brooke Dickens, Kelsey Clayman, Alika Keene, Emily Mosbacher, Lauren Varela e Haley Washburn, publicou um pronunciamento oficial sobre a investigação no site da Universidade. “A triste realidade é que nós…

Pesquisa aponta desafios das mulheres que andam de bike

Em meio às estimativas quanto ao uso da bicicleta em São Paulo, um detalhe muito importante estava faltando: o recorte de gênero! Porque vemos tão poucas mulheres utilizando a bike como meio de transporte dentro da cidade? Dessa inquietação, o Grupo de Trabalho de Gênero da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), realizou o estudo “Mobilidade por bicicleta e os desafios das mulheres de São Paulo”, para colocar em números como as mulheres utilizam ou veem o uso da bicicleta no município. Os resultados da pesquisa mostram que os medos daquelas que, ainda que tenham contato próximo com a bicicleta, ainda não pedalam, se comprovam em desafios para aquelas que utilizam a bicicleta diariamente. Falando com 334 mulheres, ciclistas ou não ciclistas, nas 32 subprefeituras de São Paulo, a Ciclocidade desvendou então os dois perfis. Entre as entrevistadas, 128 são ciclistas em São Paulo. Com faixa-etária predominante entre 20…

Amanda Nunes, leoa do octógono

A estratégia de luta de Amanda Nunes contra a americana Miesha Tate foi impecável: começou cheia de fôlego, implementando uma sequência pesada de golpes na trocação, partindo em seguida para um mata-leão fulminante, que foi demais para a adversária. E foi assim que, no último sábado, a baiana de 28 anos fez jus ao seu apelido de “leoa”. Foi assim que ela fez história no UFC. Ela desafiava Tate pelo cinturão dos pesos-galo, se tornando, com a vitória, a primeira atleta feminina brasileira campeã do UFC. Graças à Amanda, o Brasil voltou a ter um campeão linear na principal organização do MMA. Mas a vitória dela significa muito mais que isso. Ela também se tornou a primeira atleta assumidamente homossexual a ser dona de um cinturão. Desde quando começou a lutar, aos 16 anos de idade, a baiana natural de Pojuca se acostumou a ser a única mulher na academia…

Pelado Real: pela diversão e amizade no futebol feminino

Nós mulheres sabemos o quão difícil é conciliar nossa rotina de trabalho, família, estudos e ainda encontrar tempo pra fazer uma atividade de lazer que seja de fato prazerosa. Manter um círculo de amizades ou fazer novas, então, parece coisa que ficou lá pros tempos da adolescência. Agora imagina se mudar para outra cidade, depois de adulta, e ter de começar tudo do zero? Essa é realidade de milhares de brasileiras que, na grande maioria das vezes, migram de cidade, estado ou até país por motivos de trabalho, estudo ou pra acompanhar o parceiro ou parceira. Pra inspirar todas elas, conversamos com uma amiga muito querida e que nos contou como o futebol foi essencial para que ela se adaptasse ao seu novo lar. Fernanda Luiz tem 32 anos e um sotaque inconfundível. Em poucos segundos de conversa qualquer um já percebe que ela não é dessas bandas. Nascida em…

Olga Esporte Clube: Buscar o prazer no esporte é resistir contra o machismo

A prática está configurada de um jeito que a muitas mulheres resta uma relação mais solitária e às vezes limitada com o movimento, feito por obrigação, de forma mecânica e sem intenção, com um objetivo funcional que é o corpo ideal que nunca chega. Foi para debater este problema e entender melhor os motivos deste cenário a Olga Esporte Clube foi criada. Nosso objetivo é transformar a relação das mulheres com o movimento e libertá-las das pressões sociais que as afastam do mundo esportivo.

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