11 iniciativas que encorajam mulheres a praticar esportes

Mobilidade, condições sociais, obrigações do dia a dia, machismo. Estes são alguns dos muitos fatores que acabam afastando as mulheres da prática do esporte. A Olga Esporte Clube existe para mostrar que é possível quebrar este ciclo, seja com o pequeno esforço de começar uma mudança e encaixar uma modalidade na sua rotina, seja por meio do trabalho coletivo.

Sabemos que, muitas vezes, um empurrãozinho é a única coisa que falta para que esta mudança aconteça em sua vida. Por isso, trazemos uma lista de projetos e coletivos que existem para dar este incentivo tão importante.

Essas iniciativas compreendem todas as barreiras que as mulheres precisam enfrentar para praticar esportes e, assim como a OEC, trabalham para derrubá-las. Para facilitar esta relação que nem deveria ser tão difícil. Estes projetos vão ajudar você, suas amigas ou até mesmo as crianças do seu bairro a reencontrar o prazer de jogar.

E sempre vale lembrar: a maioria das iniciativas são pequenas e já fazem grandes mudanças com as pessoas que atingem. Se você estiver longe de algum desses projetos, procure por iniciativas próximas a você ou reúna as amigas para começar uma mudança.

Instituto Janeth Arcain
Modalidade: basquete

60.2007
Foto: Divulgação.

Liberado por ninguém menos que a medalhista olímpica e campeã mundial pela Seleção Brasileira de Basquete, Janeth Arcain, o Instituto Janeth Arcain (IJA) trabalha, desde 2002, com a missão de democratizar o acesso ao esporte de qualidade, trazendo novos praticantes para o esporte já na infância. Unindo esporte e cidadania, o IJA atua em comunidades de cinco cidades: Santo André, Atibaia, Bragança paulista, Cubatão e João Pessoa/PB.

Nós já tivemos a honra de conhecer (e aprender!) com Janeth durante o aulão que organizamos há um ano. E ela também nos concedeu uma entrevista super bacana acima.

Longarina
Modalidade: Surf
17218447_1170003946432134_4557178238027707684_oFoto: Reprodução Facebook / Suellen Nobrega

“Por anos fomos namoradas de surfistas, até que um dia percebemos que o que gostávamos mesmo era de surf e não do surfista”. Esta foi a faísca para Van Bertelli e Criss Bosso encontrarem motivação para se jogar no mar e explorar este esporte que, como elas defendem, é para todos. Logo, elas descobriram que aprender a surfar não é nada fácil e, quando se é mulher, o preconceito gerado pelo machismo pode acabar sendo mais um obstáculo.

Por isso, elas não praticam sozinhas. Van e Cris fundaram a Longarina para atrair mais mulheres para a prática, independente de idade, características físicas ou condições sociais. Por meio do projeto, elas buscam falar sobre mulheres no surf de maneira mais aprofundada e levar representação para garotas que estão começando. Além disso, elas promovem os “bate e voltas”, onde reúnem grupos para viajar até a praia e tirar um dia só para se dedicar ao surf.

Então, se você estiver procurando uma galera para surfar com você, já sabe onde encontrar!

Projeto Zoe
Modalidades: Esportes coletivos em quadra12711112_954761251274936_8944954678569145219_oReprodução Facebook / Projeto Zoe

Voleibol, futsal, handebol e até um bom jogo de queimada como aqueles que você tinha na quadra da escola, na infância. O principal objetivo do Projeto Zoe é criar espaços seguros para que as brasilienses participantes possam praticar estas atividades a vontade e com segurança.

O projeto existe desde 2015, incentivando as mulheres de diferentes a incluir o esporte em suas rotinas, em busca de lazer e socialização, “para que tenham oportunidade de se divertir e conhecer outras mulheres, que como elas, tenham superado e tirado de letra os momentos que, para qualquer uma, seriam desgastantes”, como aponta a descrição do projeto no Facebook. 

Pelado Real Futebol Clube
Modalidade: futebol

15726974_1280120952034154_51704079835749297_nFoto: Reprodução Facebook / Pelado Real Futebol Clube

Quando se imagina uma partida de futebol não oficial, logo se pensa no conceito de “pelada”. Aquela partida descontraída, com homens em campo, se sujando, se divertindo, reunindo os amigos. Este é um cenário mais comum em um país em que o espaço dos homens nesta modalidade é muito mais valorizado. Mas iniciativas como a Pelado Real Futebol Clube existem para igualar o jogo.

Nascido em 2011, o projeto hoje conta com 120 alunas adultas e abre, regularmente, escolinhas voltadas para jovens de 7 a 17 anos. Logo, a Arena World Sports na Barra Funda, acabou se tornando o lugar de prática do grupo, além de um lugar seguro para bater bola e aprender com o esporte.

Canela
Modalidade: ciclismo
canela
Foto: Diego Cagnato

Fundada por Adriana Vojvodic, o Canela é uma “curadoria do que há de mais novo e empolgante no mundo do ciclismo feminino”. No site, você encontra desde informações importantes sobre segurança, produtos, equipamentos e rotas para o pedal iniciante ou profissional, até histórias e relatos de mulheres que pedalam, pois é claro, uma inspiração sempre vai bem.

O Canela também promove, periodicamente, pedais coletivos só de minas. Ano passado, o grupo trouxe a Women’s 100 pela primeira vez ao Brasil (foto), passando pelo lindo trajeto de Guarantinguetá (SP), a Paraty (RJ), e contou com o apoio da OEC.

Rachão Basquete Feminino
Modalidade: Basquete

O Rachão de Basquete Feminino (RBF), com o objetivo de incentivar as participantes a praticarem esportes e conscientizar de que a quadra pública é um espaço tão pertencente à elas quanto aos homens.

Já foram organizados seis diferentes eventos para reunir praticantes das mais diferentes faixas etárias em locais privados ou públicos de São Paulo, muitas vezes em ações de ocupações para afastar os homens das quadras e para que as minas possam jogar e curtir juntas.

Ladies of HellTown
Modalidade: Roller Derby17390618_10154969880962367_8641818766354656292_oReprodução Facebook / Ladies of Helltown São Paulo Roller Derby

Um esporte de contato, sobre patins e sem bola. Sim, sem bola! No Roller Derby, o que conta são os pontos conquistados em pista oval, toda vez que a jammer da equipe, identificada com uma estrela no capacete, ultrapassa as adversárias.

Além de ajudar a perder o medo de se jogar em uma nova modalidade, o Roller Derby também proporciona muitos encontros e amizades, principalmente por ainda estar em crescimento no país. Prova disso é o grupo Ladies of HellTown, que formou a primeira liga brasileira e é o atual time campeão nacional na modalidade. Ao mesmo tempo que tem a responsabilidade de representar o país nacional e internacionalmente, o grupo também está recebe novas praticantes. As garotas estão localizadas em São Paulo, mas são um ótimo ponto de contato para encontrar ligas pelo Brasil.

Sereia do RN
Modalidades: Surf e Bodyboard
14322321_1761556297449262_2455115523893521571_nReprodução Facebook Sereias RN / Andressa Milanez

Nos já tradicionais encontros “Encontros de Mulheres que Amam o Mar”, promovidos pelo coletivo Sereias, de Natal, no Rio Grande do Norte, as praias da cidade viram espaço para mulheres aprenderem e praticarem surf e bodyboard, esportes que a fundadora Aline Mello já domina. Eventualmente, se abre também espaços para ioga, stand up paddle e outras atividades que possam ser facilmente praticadas perto da praia.

E depois de mexer o corpo, o momento de descanso é regado de trocas de experiências e reflexões sobre a participação feminina no esporte, nas rodas de conversas. Os eventos das Sereias do RN são programas perfeitos para quem gosta de combinar praia e esportes.

Yoga Para Todos
Modalidade: Ioga
DSC_0039-1-768x509Foto: Olga Esporte Clube

Fazendo jus ao nome, a Yoga Para Todos existe para mostrar que qualquer um pode praticar e aprender muito com a modalidade, não só aquele estereótipo de pessoas “zen e super magras”, como ironiza Vanessa Joda, criadora da escola, localizada em São Paulo. Vanessa é também representante da Yoga Punx, uma ONG americana nascida com objetivo semelhante.

Muitos dos métodos nada convencionais aplicados pela Yoga Punx são incorporados por Vanessa em suas aulas, como o hábito de trocar as músicas calminhas por rock’n roll. Mas o principal objetivo de Vanessa com as aulas é ensinar a ioga para pessoas gordas, principalmente as mulheres, e mostrar que a modalidade pode ajudar no processo de aceitação do corpo e autoconhecimento. Saiba mais sobre a trajetória de Vanessa na entrevista que ela concedeu para a OEC.

Projeto Uma Vitória Leva à Outra
Modalidades: Diversas

Neste projeto da ONU Mulheres, que conta com o apoio do Comitê Olímpico Internacional (COI), as crianças e adolescentes, moradoras da zona norte no Rio de Janeiro, são prioridades. O objetivo é oferecer espaços seguros para que elas possam praticar esportes e continue as acolhendo diante dos desafios que costumam afastá-las da prática, como o machismo e as mudanças no corpo provocadas pela puberdade.

Para reverter este quadro que torna as mulheres tão vulneráveis a deixar a abandonar a prática de atividades físicas, a ONU Mulheres busca causar o efeito contrário, com atividades que impulsionam a autoconfiança e promovendo debates sobre desigualdade de gêneros, de modo que as garotas cresçam confiantes e empoderadas para permanecer fazendo o esporte que amam.

La Frida Bike
Modalidade: Ciclismo14225573_1779267185696227_7549423110862923073_n
Foto: Reprodução Facebook / La Frida Bike

O La Frida Bike é um projeto social que une poesia, gastronomia e a paixão por urbanismo e arquitetura. Para este combo ficar ainda melhor, só unindo à bike! O projeto desenvolvido por cicloativistas negras ajudou a incentivar mulheres negras na cidade de Salvador, na Bahia, a desafiarem o medo do pedal e as barreiras sociais que as afastam das ciclovias. Isso tudo sem deixar de, é claro, cobrar por políticas públicas que incluam as mulheres na cidade.

Por meio de uma campanha de financiamento coletivo, a La Frida Bike segue agora com projetos como a escola bike itinerante, além da instalação de 40 bicicletários em universidades e escolas públicas da capital baiana.

Deixe um comentário

Navegar