Fazer esporte é um ato de rebeldia à objetificação da mulher

esporte coletivo

Segundo uma pesquisa da Women’s Sports Foundation, garotas de 14 anos abandonam a prática de esportes duas vezes mais do que os homens. Entre os motivos apontados, estão a falta de acesso, segurança e transporte, além do baixo número de exemplos positivos no esporte que as motivem a continuar. Contudo, um dos motivos mais preocupantes para o abandono da prática esportiva é o “estigma” de esportista. Mas afinal, o que isso significa? Afinal, qual é o “estigma” da mulher esportista?

Não é segredo que a prática regular de esportes contribui para uma vida mais saudável. Na adolescência, os jogos coletivos e de campeonato também são uma forma de suporte à construção da autoestima. Mesmo assim, 70% das garotas brasileiras acreditam que o esporte não é lugar para elas. Com o pouco incentivo e visibilidade dados às competições femininas, não é à toa que muitas chegam à vida adulta com a mesma convicção: 50,4% das mulheres no Brasil não pratica nenhuma atividade física.

Entendemos que o esporte, enquanto função de emagrecimento, é vangloriado e aprovado pela sociedade. Em nossa pesquisa, descobrimos que o prazer da atividade física é raramente lembrado – resultados como “esforço” ou “cansaço/desgaste” são muito mais comuns. Os últimos anos, repletos de exemplos de “musas fitness” nas redes sociais, comprovam que existe, sim, um interesse por “malhar” – mas somos compelidas a fazer treinamentos solitários, isolantes e, muitas vezes, frustrantes. O exercício passa a ser confundido com sacrifício pessoal para atingir metas irreais de aparência. O lado divertido e empolgante do esporte, que aflora na competição e na busca por novos limites, é esquecido na infância, antes da puberdade. Mulheres não podem se divertir com esportes. É a partir dos 18 anos que “o esporte perde completamente o caráter lúdico e se transforma em um meio para conquistar um corpo bonito. Os motivos pelos quais as mulheres praticam passam a ser Saúde (64%), Bem estar (62%) e emagrecimento (53%)”.

As mulheres que participam de torneios em grupo, muitas vezes, são consideradas masculinizadas – inclusive por outras mulheres. O medo de ter “corpo de atleta” e parecer menos feminina e delicada é apenas mais uma forma de nos fazer desgostar da própria aparência.

É preciso entender que esses estigmas são uma ferramenta de controle dos homens na participação feminina dos esportes. É como dizer que, por sermos mulheres, não merecemos ser velozes, fortes ou resistentes. Campanhas como “Tipo Garota / Like a Girl”, da Always, vieram para nos relembrar do orgulho de sermos lutadoras e continuarmos conquistando os espaços que, o tempo todo, são negados para nós. Mais recentemente, a campanha da Nescau também chama a atenção para a importância dos esportes na vida das meninas. Veja abaixo:

Fazer esporte é uma forma de mostrar que somos donas de nossos corpos. Que não precisamos da autorização de ninguém para nos movimentarmos como quiser. Podemos alcançar limites que não imaginávamos, que foram impostos a nós por medo e preconceitos acumulados ao longo da vida. Vamos lutar. Vamos comemorar a cada quilômetro vencido. Vamos deixar as opiniões e temores, enfim, derrubados no tatame.

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