As atléticas universitárias na reaproximação das mulheres com o esporte

cmyk-esporteseca-usp-contra-o-machjsmoAo traçar a relação das mulheres com o esporte, em uma pesquisa realizada no ano passado, descobrimos que, para a maioria das mulheres, sua prática se torna uma obrigação na vida adulta. Ele passa a ser visto como necessário apenas para manter a saúde em dia e o corpo magro, mas nunca para competição, socialização – e menos ainda para diversão. Um cenário oposto ao do primeiro contato na infância, quando o esporte é visto como uma maneira de se divertir (69%), aprender (46%) e fazer amizades (35%).

Se as aulas de educação física, obrigatórias na infância, são facilitadoras na relação positiva com os esportes, na vida adulta, distante do ambiente escolar e com poucos incentivos sociais para continuar a prática, as mulheres têm menos oportunidades de jogar em grupo ou individualmente. Entretanto, para aquelas que ingressam na universidade, pode haver uma segunda chance de se relacionar com o esporte, de forma positiva e acessível, por meio das atléticas.  

São chamadas de atléticas as associações estudantis que promovem a socialização entre os alunos por meio de festas, eventos e ações sociais, tudo girando em torno dos esportes. Dentro de uma instituição acadêmica, cada curso pode se organizar para iniciar uma atlética e, dentro dela, iniciar times de futebol, handebol, vôlei e até algumas modalidades individuais, com treinos regulares que podem levar a participações em campeonatos como o JUD (Jogos Universitários de Direito) ou JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes).

Além do treino ao lado das colegas de time e a competição em quadra, a integração acontece também nas arquibancadas, junto às torcidas, sempre animadíssimas e fiéis às atléticas que acompanham – muitas têm bandas para animar, criando uma oportunidade também para o aprendizado de algum instrumento de percussão.

Participar de um um ambiente esportivo tão competitivo significa ainda esbarrar com machismo e uma maioria masculina que dita as regras. Mas, assim como no mundo dos esportes profissionais, é possível se organizar para passar por cima desses impedimentos, jogando como garotas!

O futebol feminino da USP é um exemplo disso. Elas inspiraram a Liga das Atléticas Acadêmicas Universitárias da USP (LAAUSP) a formar, no começo de 2016, o primeiro time feminino a participar da Seleção USP,  que representa a Universidade de São Paulo nos principais campeonatos do circuito estudantil, como o Campeonato Paulista Universitário, e conta com as melhores jogadoras de cada atlética dentro do campus.

Também movimentou a USP no ano passado, a ação da Associação Atlética Acadêmica Visconde Cairu (AAAVC), da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP), por meio da promoção do InterUSP das Minas, evento derivado do InterUSP, que reuniu jogadoras e torcedoras dos times femininos para discutir os abusos e opressões que ocorrem durante os Jogos, a fim de conscientizar e educar contra estas práticas.

Se as atléticas são construídas e mantidas pela colaboração coletiva de alunos, é justo que todas as vozes (e habilidades de jogo) façam parte da conversa. Nem todas as universidades possuem atléticas, mas na presença de mulheres que desafiam o machismo dentro das que existem e a criação de novas já com esse posicionamento pode estar o futuro do fortalecimento do esporte feminino no Brasil – dentro de campo,  com mais atletas, e, fora dele, na luta por direitos iguais.

Foto: Ecatlética.

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