7 atletas contemporâneas que são pioneiras

Uma breve pesquisa sobre pioneirismo nos esportes pode mostrar histórias inspiradoras de grandes atletas que, há muitos anos, criaram movimentos, modalidades e foram os primeiros a alcançar conquistas, abrindo caminho para muitos outros depois deles.  

Infelizmente, a maioria dessas histórias têm homens como protagonistas. Seja pelos privilégios de gênero que eles carregam historicamente e que fazem toda a diferença no mundo dos esportes, ou pelo fato de que estes mesmos privilégios acabam dificultando a visibilidade e a participação feminina neste universo.

Mas ainda há muito espaço para história e deixar um legado para as próximas gerações. Estamos vivendo em uma nova era, em que mais mulheres estão encontrando força e apoio para quebrar barreiras que ainda estão no caminho, tornando-se assim as novas pioneiras e inspirando mulheres a se jogar no mundo dos esportes. E aqui estão algumas para você se inspirar:  

1. Misty Copeland

misty -Instagram: @mistyonpointe.

Uma mulher negra em uma atividade cara e elitista como o ballet precisa enfrentar  um desafio que vai muito além das (muitas) exigências que recaem sobre uma bailarina profissional: o racismo.

Foi assim para a americana Misty Copeland, que começou a dançar aos 13 anos, um pouco tarde para a faixa etária comum das bailarinas que tornam-se profissionais. Hoje ela é parte da grandiosa companhia de ballet clássico American Ballet Theatre que, em 75 anos de história, teve Misty como sua primeira bailarina negra a interpretar Prima Ballerina em um espetáculo, considerado o “cargo” mais alto para bailarinos na companhia. A representatividade de Misty é tão forte para a comunidade negra americana, que ajudou até a aumentar a presença de pessoas negras no teatro como espectadores ver ballet.

2. Ingrid Silva
ingrid
Instagram: @ingridsilva

A carioca Ingrid Silva também passou por muitos obstáculos para realizar o sonho de ser bailarina. Ela teve dificuldades  financeiras para bancar aulas e materiais para a prática,  e enfrentou também o racismo. Como muitas bailarinas negras, ela pintava suas sapatilhas com maquiagem para conseguir um efeito nude, enquanto bailarinas brancas encontram o item já no seu tom de pele nas lojas.Tudo isso para chegar ao Dance Theatre of Harlem, uma principais companhias de ballet de Nova York, onde se apresenta há sete anos e, recentemente, tornou-se solista.

3. Nasima Akter
Nasima AkterJordan Dozz / Marie Claire U.S

A surfista Nasima Akter é uma força contra tabus e opressões de gênero que, infelizmente, são muito comuns em seu país natal, Bangladesh. Ela foi contra a família, quando, com somente sete anos de idade, se recusou a trabalhar como prostituta para colaborar no sustento da casa e, assim, acabou sendo expulsa do lar.

Por sorte, ela foi acolhida por uma comunidade surfista em Cox’s Bazar, onde aprendeu a nadar e a surfar, duas atividades nada comuns para garotas do seu país em função das tradições religiosas. Hoje, aos 18 anos, é a primeira mulher a tornar-se surfista profissional na Índia e estrela um documentário emocionante contando sua história.

4. Karen Jonz

karenInstagram: @karenjonz

Na falta de espaço e campeonatos direcionados para mulheres, Karen Jonz começou a carreira se destacando entre os caras mesmo. Até que conquistou sua primeira medalha de ouro em uma disputa feminina – que também foi a primeira medalha de ouro do Brasil nessa categoria –  no maior campeonato da modalidade, o X Games.

Depois disso, Karen tornou-se tetra campeã mundial de skate e é considerada uma das maiores atletas da modalidade no Brasil e abrindo o caminho para outras grandes que vieram depois dela, como Letícia Bufoni, Reine Oliveira e até a pequena Rayssa Leal, a fadinha do skate.

5. Simone Manuelsimone
Instagram: @swimone13

Só a conquista do ouro olímpico da americana Simone Manuel, na final dos 100m livre feminino dos Jogos Olímpicos Rio 2016, já entrou na história do esporte. A disputa entre ela e a canadense Penny Oleksiak foi tão acirrada que as duas não só dividiram o pódio como também um recorde de velocidade.

Entretanto, Simone ficará ainda mais marcada pelo fato de ser a primeira nadadora negra a ganhar uma medalha olímpica em natação. Em seu discurso de agradecimento, ela lembrou e agradeceu toda a resistentência de seus antepassados, que eram expulsos de piscinas públicas nos Estados Unidos e até banhados em cloro, pois acreditava-se que pessoas negras sujariam a água.

Assim, ela traduziu perfeitamente a importância de ser a primeira a vencer, para que outros vençam depois dela: “Ao entrar na prova eu tentei tirar o peso da comunidade negra dos ombros, que é algo que carrego comigo nesta posição. Espero que algum dia isso desapareça, que chegue o dia em que sejamos mais numerosos. Que não seja Simone, a nadadora negra. Esse título dá a entender que não mereço a medalha, mas trabalhei duro, quero ganhar tanto quanto todo mundo”.

6. Ayesha McGowan

ayewsha
Cannondale.

“Mais mulheres deveriam estar pedalando. Mais mulheres negras deveriam estar pedalando. E é por isso que eu me dedico”, diz Ayesha McGowan à BBC.

Ela teve sua história contada em uma série de documentários do canal sobre mulheres que superaram desafios graças ao esporte. Mas, no caso de Ayesha, a ideia é superar impedimentos do próprio esporte, já que sua principal meta é tornar-se a primeira afro-americana a se profissionalizar no ciclismo de estrada.

7. Aline Rocha
WhatsApp-Image-2017-01-12-at-11.42.01-e1484256125625 Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN)

Em 2015, Aline Rocha não era apenas única mulher entre os cadeirantes a competir na São Silvestre, como também terminou em primeiro lugar.

Em 2017, Aline se prepara para as eliminatórias do ski adaptado, a fim de competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pyeongchang-2018, o que faria dela a primeira paratleta do Brasil a participar desse grande evento do esporte. Quer exemplo maior de que ainda há muito espaço para pioneirismo nos esportes?

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