Além de estereótipos: a missão de levar a yoga para todos os corpos

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A yoga mudou a vida de Vanessa Joda. Curou problemas físicos e psicológicos causados pelo estresse de um emprego que ela não amava, além de ajudá-la a recuperar uma autoestima há muito perdida em tentativas de se encaixar nos padrões de beleza socialmente impostos durante sua adolescência e início da vida adulta.

Quando seu melhor amigo sugeriu a yoga para ajudá-la a escapar do estresse com o trabalho, Vanessa sempre resistia, argumentando que só pessoas magras praticam yoga. Até que, quando resolveu dar uma chance à atividade, perdeu completamente sua convicção ao descobrir que a yoga, na verdade, é para todos.

Logo surgiu a vontade de compartilhar esse aprendizado. “Iniciei uma especialização para ser professora de yoga. Olha que engraçado, né? Para quem achava que não podia nem praticar yoga”, ri Vanessa, hoje dona de sua própria escola, Yoga Para Todos, além de dar aulas particulares e ser a representante brasileira da ONG Yoga Punx em São Paulo. “Cresci ouvindo que eu precisava ser magra para conseguir o que eu queria e a yoga me libertou disso, me mostrando que não existem limites para um monte de coisa só por causa do seu corpo”, explica.

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Esta crença, de que primeiro é preciso ter um corpo bonito antes mesmo de praticar esportes, é muito comum entre as mulheres, considerando que muitas acabam sendo socializadas a buscar emagrecimento e beleza com a prática de atividades físicas, deixando benefícios como diversão, saúde e competitividade em segundo ou terceiro plano. Em nossa pesquisa, realizada ano passado, 35% das entrevistadas afirmam ficar constrangidas com o próprio corpo na hora de se exercitar – exatamente como aconteceu com Vanessa antes de dar uma chance à yoga.

Mas, quando se fala da prática, isso não é uma surpresa. Estereótipos de corpos considerados bonitos – ou mesmo estilos de vida considerados corretos – já vêm prontos para novos praticantes. Em uma entrevista para o The Guardian, a professora americana Jessamyn Stanley, uma das primeiras a quebrar esses padrões publicamente ao compartilhar poses de yoga poderosas em seu Instagram e falar sobre o quanto ama praticar o esporte, diz que isto acontece graças ao senso comum de que corpos gordos não são tão fortes quanto corpos musculosos. No entanto, ela é uma prova viva de que isso não é uma regra: “Minha barriga está aqui e eu ainda estou forte”, argumenta.

Vanessa faz coro: “Hoje eu me dou super bem com meu corpo e tenho uma percepção muito grande dele. Eu sei até onde posso ir ou não posso ir com respeito aos meus limites”, conta.  Assim como Jessamyn, ela também se coloca como inspiração para seus alunos, que, em sua maioria, são mulheres. “Não é um esporte feminino. É um esporte para ambos os gêneros, mas os homens carregam esta ideia de que é um ‘esporte de menina’”, explica ela. “A Yoga para Todos surgiu com essa ideia de que qualquer um pode praticar a yoga, voltada principalmente para os gordos. Todos os gordos podem praticar e eu estou aqui como prova disso”, conta.

Vanessa em uma de suas aulas na escola Yoga para Todos
Vanessa em uma de suas aulas na escola Yoga para Todos

Além de explorar a força do próprio corpo, aprender a respeitar seus próprios limites e ainda passar todo este conhecimento adiante, Vanessa destaca outra descoberta super divertida com relação ao esporte. Segundo ela, embora trabalhe também a mente, introduzindo ao praticante a uma jornada de autoconhecimento, a yoga não precisa ser sinônimo de calmaria. Ela  garante que prática “não é só para a galera ‘good vibes”.  “Eu descobri que posso ter a democracia do som nas minhas aulas. Já pratiquei ouvindo até Motorhead (banda de heavy metal)”.  

Foto de destaque: Robson Leandro.

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