6 fatos que fazem do rugby o esporte perfeito para as mulheres

13411837_610307442470276_7256343909267038876_oJogadoras da Seleção Feminina de Rugby ensinando novatas na modalidade – muitas delas jogando pela primeira vez – no aulão promovido pela OEC

“Imagine um ambiente com mais de 20 mulheres. É fácil visualizar este grupo como sendo diverso? Bem, se este for um time de rugby, ficaria mais fácil afirmar que sim”, foi propondo esta reflexão que a rugby services manager, Marjorie Enya, iniciou, ao lado da jogadora Isadora Cerullo, uma conversa com a Olga Esporte Clube sobre os valores dessa modalidade que, apesar de ter chegado ao Brasil na mesma época que o futebol, só começou a se firmar por aqui depois dos anos 2000.


Ambas conheceram o rugby na faculdade: Marjorie no curso de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e Isadora, na Universidade Columbia, em Nova Iorque. Posteriormente, Marjorie se vinculou ao
Spac, tradicional clube de São Paulo e, com o tempo, decidiu se afastar da prática para colaborar no setor administrativo. Já Isadora, ao voltar para o Brasil, passou a jogar pelo time rival carioca Niterói e hoje integra o time titular da Seleção. A prática do esporte apresentou caminhos diferentes para as duas dentro da modalidade e isso só fortaleceu o vínculo entre elas (que estão noivas) e entre as colegas de modalidade.

De acordo com Isadora, isso acontece pois o rugby, principalmente o feminino, é um esporte ainda em crescimento no Brasil e que depende do esforço coletivo das atletas e voluntárias para acontecer. “Enquanto tantas modalidades dominadas e administradas por homens excluem as mulheres, construindo coletivamente o rugby, temos a chance começar do zero, só progredindo, sem retroceder”, explica.

Perguntamos às duas tudo sobre o rugby e o que a modalidade tem de tão especial e descobrimos que este é um esporte perfeito para as mulheres. Saiba porque:

1. O rugby é um esporte que agrega

Toda a dedicação que as atletas e voluntárias dão para que a modalidade continue crescendo no país é retribuída pelos clubes e times amadores de rugby, que estão sempre de portas abertas para todas as mulheres. Segundo Marjorie, a convivência ajuda a desenvolver a empatia. “Dificilmente uma mãe vai ficar sem jogar porque não tem ninguém que cuide do filho dela, por exemplo. A maternidade e outras barreiras na vida de uma mulher são compreendidas no campo”.

2. É um bom lugar para aprender e para ensinar

Isadora explica que não há hierarquia dentro do rugby entre mulheres, por isso, iniciantes no clube podem ter a chance de jogar com atletas em nível de Seleção – e sem ficar pra trás. “Se o treino está pesado para uma jogadora, nós sempre vamos parar e ajudá-la no que ela precisa”, conta.

3. O rugby te ensina a respeitar o seu corpo

Praticando um esporte que exige tanta força física como o rugby, é comum se sentir incentivada a colocar o seu corpo à prova e, consequentemente, aprender sobre o que ele é capaz de fazer. Mas também faz parte do aprendizado conhecer os seus limites. “Incentivo e pressão são duas coisas muito diferentes”, ressalta Isadora.  

4. Outras mulheres são rivais e não inimigas

O aprendizado no rugby vai além do que seu time tem a oferecer. Como uma comunidade muito próxima, não há vergonha ou orgulho que impeçam as jogadoras de aprenderem com as adversárias. “Muitas vezes torcemos para times rivais chegarem nas finais para que possamos enfrentá-las e aprender junto com elas”, conta Isadora.

5. É um esporte contra a LGBTfobia20714361Foto: Alessandro Bianchi/ Reuters / Folhapress

Marjorie pediu Isadora em casamento em plena Rio 2016, no campo, depois da vitória da Seleção Brasileira de Rugby contra Japão. Um ato que, na opinião do casal, não aconteceria facilmente em outras modalidades. “Quando pedi permissão para fazer o pedido, não houve hesitação para a aprovação. Dizer não seria ir contra os valores ensinados no rugby, principalmente o de respeito às diferenças”, argumenta Marjorie.

6. Todos esses valores podem ser levados para além do campo

De acordo com Marjorie, é possível notar o espírito de respeito mútuo na arquibancada de um jogo de rugby, normalmente composta por familiares, namoradxs ou amigxs das garotas do time, que aprendem, junto com as jogadoras, que o rugby é muito fiel aos seus valores, baseados em cinco pilares: integridade, respeito, solidariedade, paixão e disciplina.

Isadora acredita (e nós também!), que os valores do rugby podem ir muito além do campo ou mesmo da arquibancada de um jogo, sendo facilmente aplicáveis no dia a dia de trabalho ou nas relações pessoais.

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