Ela é sua adversária e não sua inimiga

De um lado, uma campeã consagrada, buscando conquistar o cinturão do peso-galo feminino no UFC e voltar ao topo do MMA, contando com o apoio da mídia. Do outro, uma campeã recente, uma promessa na modalidade, buscando defender seu cinturão e continuar ascendendo na competição. A americana Ronda Roussey e a brasileira Amanda Nunes foram competidoras e, consequentemente, adversárias no #UFC207, evento de encerramento do Ultimate Fighting Championship, o UFC, em 2016. A divulgação da luta até contou com a tradicional “encarada”, entre lutadoras. Mas isso não quer dizer que elas devam ser inimigas.

Quando o juiz encerrou a luta e declarou vitória brasileira por nocaute técnico no ringue, Amanda comemorou como achou que devia: vestiu uma postura marrenta e rodou o octógono fazendo um gesto em que pedia silêncio, debochando de quem duvidou de seu desempenho contra a grande Ronda. Mas logo depois, numa atitude de fair play, a campeã foi cumprimentar e consolar a adversária, como se pode ver no vídeo abaixo:

Este momento entre as duas atletas, que tanto batalham em um esporte dominado por homens, só ajuda a quebrar aquela velha ideia de que as mulheres vivem para superar umas às outras,para ser inimigas.

Não é à toa que momentos de sororidade e empatia entre atletas ficam tão registrados nas memórias de espectadores. Como esquecer, por exemplo, a atitude de Nikki Hamblin, corredora da Nova Zelândia que, ao tropeçar durante prova de 5.000 metros rasos do atletismo durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, acabou levando a americana Abbey D’Agostinho na queda. Nikki ajudou Abbey a se levantar e a incentivou a terminar a corrida. Durante o trajeto, Abbey voltou a cair, sentindo uma contusão, mas Nikki continuou ao lado da colega. As duas terminaram a corrida juntas.

E a parceria prevalece mesmo em momentos de vitória, como quando, também durante os jogos Rio 2016, a americana Simone Manuel e a canadense Penny Oleksiak dividiram o recorde olímpico e o pódio após empatarem na piscina.

Voltando ao UFC, Paige VanZant e Michelle Waterson nem precisaram subir no ringue para demonstrar que esporte é sobre respeito, admiração, parceira e também sobre diversão ao lado das colegas. Dá uma olhada na disputa de dança (!) que elas improvisaram antes da encarada.

Esta é mais uma regra boba de gênero que o esporte ajuda as mulheres a quebrar, além de ser uma lição que pode ser levada para outros aspectos da vida. Sim, é legal ser competitiva e correr atrás do reconhecimento naquilo em que você é boa e qualificada! Mas nada disso significa que você deve rebaixar outra mulher que busca o mesmo, mas sim incentivá-la a crescer ao seu lado.

Foto: Reprodução FOX.

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