O depoimento do time feminino de Harvard mudou a postura da universidade quanto a assédio

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Desde 2012, o time de futebol masculino da renomada Harvard University, nos Estados Unidos, mantinha a tradição de classificar sexualmente as jogadoras da equipe feminina. De acordo com uma nota oficial divulgada no site da instituição, o grupo tinha até um documento de nove páginas com um ranking das mais sexys e até posições sexuais atribuídas a cada uma.

Em nossa pesquisa, realizada no início do ano, 57% das entrevistadas afirmaram não praticar atividades físicas em locais abertos ou públicos com medo de assédio, um fato que, em função da nossa experiência com a campanha Chega de Fiu Fiu, infelizmente não nos deixa surpresas. O mesmo vale para o próprio time feminino de 2012 da Harvard, que, representado pelas jogadoras Brooke Dickens, Kelsey Clayman, Alika Keene, Emily Mosbacher, Lauren Varela e Haley Washburn, publicou um pronunciamento oficial sobre a investigação no site da Universidade.

“A triste realidade é que nós esperamos este tipo de comportamento de tantos homens, como isso fosse tão ‘normal’ para nós, que, frequentemente, decidimos que não vale a pena perder o nosso tempo falando sobre isso”, disseram na carta.

E foi justamente o fato de falarem que fez a diferença no caso. O texto das jogadoras fez com que o conteúdo, chamado de “Relatório de Exploração”, chegasse à reitoria da instituição e, como punição, foram canceladas as atividades do time por tempo indeterminado, incluindo as próximas temporadas de competições, para as quais eles estavam se preparando, como a Ivy League e a NCAA Tournament.

De acordo com a presidente da Universidade, Drew G. Faust, investigações serão iniciadas para avaliar se outros times, de outras modalidades também apresentam comportamentos machistas e abusivos.

Sabemos que muitos casos de assédio ou abuso sexual acabam sem punição para os agressores, principalmente pela naturalidade que se dá para o problema em uma sociedade movida pela cultura do estupro, que culpabiliza a vítima e protege os agressores.

Por isso, a atitude das jogadoras é tão forte e combativa. Por meio de seu pronunciamento, elas conseguiram não apenas uma punição pelo machismo que sofreram, mas também enfrentar os julgamentos dos espectadores: “Mais uma vez, a mídia usou o nome da Universidade para chamar atenção e assim ficou mais difícil se aprofundar nessa história, mais difícil ainda de lidar com o julgamento de nossos colegas e comentários ultrajantes do público na internet. Mas o mais difícil de sustentar é o constrangimento, nojo e dor que sentimos como resultado”.

Foto: NBC News.

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