Pesquisa aponta desafios das mulheres que andam de bike

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Em meio às estimativas quanto ao uso da bicicleta em São Paulo, um detalhe muito importante estava faltando: o recorte de gênero! Porque vemos tão poucas mulheres utilizando a bike como meio de transporte dentro da cidade?

Dessa inquietação, o Grupo de Trabalho de Gênero da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), realizou o estudo “Mobilidade por bicicleta e os desafios das mulheres de São Paulo”, para colocar em números como as mulheres utilizam ou veem o uso da bicicleta no município. Os resultados da pesquisa mostram que os medos daquelas que, ainda que tenham contato próximo com a bicicleta, ainda não pedalam, se comprovam em desafios para aquelas que utilizam a bicicleta diariamente. Falando com 334 mulheres, ciclistas ou não ciclistas, nas 32 subprefeituras de São Paulo, a Ciclocidade desvendou então os dois perfis.

Entre as entrevistadas, 128 são ciclistas em São Paulo. Com faixa-etária predominante entre 20 a 30 anos, a maioria, 46%, se autodeclaram brancas. Com as porcentagens somadas, 50,8% delas se consideram pretas ou pardas. 37,5% das ciclistas são veteranas na bike e pedalam há mais de 5 anos, mas esse 12,5% das que começaram a pedalar entre seis meses e um ano também é muito significativo.

Mais da metade das entrevistadas que são ativas na bicicleta têm pelo menos um filho e os destinos mais comuns a serem feitos na bike são: trabalho, compras e transporte dos filhos. Mas as mulheres que não pedalam apontam o tamanho da família como um impedimento: quanto mais filhos, menos usual a bicicleta se torna para elas.

São 206 não ciclistas na pesquisa e o principal motivo para não pedalarem é o medo de colisões, quedas ou atropelamentos, segundo 21% delas. E este medo é super normal, como já apontaram as meninas da canela.cc.

Em nossa pesquisa desenvolvida no início do ano, aprendemos que o esporte é sinônimo de diversão e experiências para as mulheres até os 13 anos, mas a chegada da puberdade e a menstruação transformam o corpo, e as preocupações principais passam a ser o bem estar (41%) e a saúde (39%). Até que, aos 18 anos, o esporte perde completamente o caráter lúdico e se transforma em um meio para conquistar um corpo bonito.

Outro impedimento para as paulistanas pedalarem é o trânsito, que afasta 19% das não ciclistas, seguido do risco de assaltos (15%) e o assédio: para 8%, não dá para escapar desse problema mesmo sobre duas rodas. O constrangimento com o corpo na hora de se exercitar também foi apontado como um impedidor por 35% das entrevistadas na pesquisa da OEC.

E na sua cidade? Como você sente que é a relação das mulheres com a bike?

Sobre o medo de lesões, lembre-se que a sua pedalada diária deve ser equipada para a sua segurança (sugerimos este outro texto da canela.cc).

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