Pelado Real: pela diversão e amizade no futebol feminino

Nós mulheres sabemos o quão difícil é conciliar nossa rotina de trabalho, família, estudos e ainda encontrar tempo pra fazer uma atividade de lazer que seja de fato prazerosa. Manter um círculo de amizades ou fazer novas, então, parece coisa que ficou lá pros tempos da adolescência. Agora imagina se mudar para outra cidade, depois de adulta, e ter de começar tudo do zero?

Essa é realidade de milhares de brasileiras que, na grande maioria das vezes, migram de cidade, estado ou até país por motivos de trabalho, estudo ou pra acompanhar o parceiro ou parceira.

Pra inspirar todas elas, conversamos com uma amiga muito querida e que nos contou como o futebol foi essencial para que ela se adaptasse ao seu novo lar.


Fernanda Luiz tem 32 anos e um sotaque inconfundível. Em poucos segundos de conversa qualquer um já percebe que ela não é dessas bandas.

Nascida em Belo Horizonte, Fernanda fez toda sua formação universitária nos EUA, e hoje trabalha com orientação de outros jovens que estão vivendo essa mesma – e única – experiência por lá. Em agosto de 2014, a convite do trabalho, se mudou para São Paulo. Teoricamente, para quem já tinha vivido por seis anos fora do país, essa seria apenas mais uma vivência de fácil adaptação. É, mais ou menos.

Fernanda conta que não era simples se encontrar em uma cidade tão diversa e tão intensa: “Eu sabia que tinha bastante diversão disponível, mas no começo não conseguia me encaixar naquilo que me interessava. Por muito tempo minha vida aqui se resumia a ir pro trabalho e, de vez em quando, participar de algum happy hour.”

Esporte: paixão e inclusão desde a infância

Esportista desde muito nova, a mineira iniciou no tênis com apenas 7 anos, aos 9 já estava competindo, e assim seguiu até os 25. O envolvimento com a raquete era tão grande que ela tinha restrição para praticar outras modalidades, a fim de evitar lesões.

Seu pai foi seu maior incentivador. Era ele quem a acompanhava nas aulas de tênis desde criança. Mas foi o sentimento de inclusão que o esporte proporciona o que de fato a fez ter certeza de que ali era o seu lugar.

Ela conta que sempre se sentiu muito confortável no meio esportivo, pois via que tinha habilidade e, por conseguir se destacar, sentia-se incluída. Ao longo do tempo, foi o esporte que a proporcionou a maior parte de suas experiências, vivências e relacionamentos.

“O esporte na minha vida esteve sempre presente. O que eu sou hoje é 100% relacionado ao esporte. Todas as experiências e oportunidades que eu tive, de estudar fora, conhecer lugares e pessoas, foi tudo vinculado ao esporte”.

Futebol: o divisor de águas na terra da garoa

Em meados de 2015, uma colega de trabalho americana a convidou para conhecer o Pelado Real, um time de futebol só de mulheres que treinava semanalmente, e do qual Lizz já fazia parte há mais de três anos. Depois de uns dois meses enrolando, ela finalmente foi, e pra nunca mais sair. “As meninas do Pelado me abriram não só as portas, mas o coração também. Eu me senti muito acolhida muito rápido”, conta.

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No Pelado Real, as mulheres e meninas se conectam em torno de uma paixão em comum. Se superam, se desafiam e se divertem juntas.

A maioria das “peladeiras” se conheceu assim, em quadra. Muitas chegam tímidas, receosas, mas em pouco tempo percebem que estão em casa. Mais do que o gosto pela bola, é nítida a identificação de valores e perfis entre elas. Estar ali já demonstra que são mulheres de atitude, que buscam seu espaço e que estão abertas a aprender e viver novas experiências. “Eu sou uma pessoa que gosta muito tanto da parte social quanto da esportiva, e o Pelado Real é a soma perfeita disso. Além de ter uma qualidade de treino muito boa, as pessoas ali fazem com que ele seja um ótimo grupo de amigas que fazem coisas juntas e que estão afim de curtir acima de tudo.”

De uma forma geral, as mulheres que se mudam para São Paulo também têm esse perfil, de desbravar e buscar coisas novas. E por estarem aqui nesse mesmo esquema – sem família, apenas por causa do trabalho – precisam procurar algo com o que se identifiquem, seja o futebol ou qualquer outra atividade.

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A conexão entre as meninas é tão forte que extrapola o campo e se reflete em um senso de pertencimento mais amplo. Esta foto foi tirada na parada gay (mai/16). Da esquerda para a direita: Thais (peladeira), Lizz (a amiga americana peladeira) e Fernanda.

“Eu falo que o Pelado foi um divisor de águas pra mim aqui em São Paulo. Foi ali que encontrei pessoas com os mesmos valores e princípios que eu, com quem eu me sinto bem, e finalmente consegui criar um grupo de amigas onde eu não converso de trabalho. Isso foi fundamental na minha adaptação. Eu até então não tinha conhecido ninguém com quem eu me identificasse tanto.”

 O Pelado Real é do time da Olga Esporte Clube e vai trazer para nosso clube eventos e conteúdos sobre futebol. Além dos treinos em São Paulo, vamos juntas organizar aulas e treinos em outras cidades e estados, para que mais e mais mulheres descubram o prazer de jogar bola. Bem vindas!

Para quem também quiser fazer parte da família de peladeiras, é só entrar em contato pelo peladoreal@peladoreal.com.br.

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